segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Carta que seria lida na Inaugração da Bical!

Nós, estudantes do Campus Laranjeiras da Universidade Federal de Sergipe, viemos através desta carta, mostrar à Vossas Senhorias aqui presentes nesta solenidade a nossa opinião quanto a implantação da universidade nesta cidade. Laranjeiras é uma cidade histórica, cheia de tradições, artistas, folclore, etc. A cidade perfeita para se implantar um campus de Artes da UFS. Com a universidade aqui, a cidade vai crescer bastante e criar novos horizontes. Sem dúvida, foi uma grande idéia, Laranjeiras merece ter a UFS, mas teria dado muito certo se não fosse um projeto de expansão SEM RESPONSABILIDADE.

Estamos estudando no CAIC de Laranjeiras, dividindo o local com estudantes secundaristas, desde o 1º período do ano de 2007, com a promessa de início das obras do campus definitivo desde março do ano passado. E, no entanto, continuamos apenas com as promessas e nada foi feito, o Trapiche continua com as mesmas ruínas de sempre e nada mais.

Chegamos ao CAIC (nossa sede provisória) sem a existência de uma xérox, de um restaurante universitário, de uma biblioteca e, até mesmo, de uma residência universitária. Continuamos nessa situação quase durante todo o primeiro período. Depois de várias reclamações, conversas e discussões com a direção do campus e a reitoria da universidade, foi necessário chegar ao estopim de uma paralisação de três meses para conseguirmos o mínimo para continuar estudando em Laranjeiras: uma lanchonete, uma xérox, um pequeno armário com o resto dos livros da Biblioteca Central da UFS de São Cristóvão e uma precária residência universitária.

Os poucos residentes que hoje existem em Laranjeiras vivem em condições subumanas, chegando ao cúmulo de estudantes terem que dormir no chão por falta de mobília, que deve ser garantida por intermédio da Política de Assistência Estudantil da universidade, possibilitando assim não apenas o acesso, sobretudo, as condições de permanência, a não ser que garantia de direitos não seja uma prioridade da UFS e do

Governo Federal, perante a educação pública. Hoje, tais residentes encontram-se com suas bolsas assistenciais cortadas, por ordem da reitoria da UFS pelo simples fato de precisarem gastar parte do auxílio com alimentação. Mas lembramos aos senhores, que em Laranjeiras não se tem a mesma estrutura que São Cristóvão, onde os residentes têm acesso gratuito às principais refeições no restaurante universitário. Então seria correto responsabilizar os residentes pelo custo altíssimo da alimentação, tendo em vista o descaso da reitoria? Como pode um estudante de origem popular, perfil esse do residente, permanecer na UFS sem o auxílio da bolsa? O corte então é ilegal na medida em que fere os princípios e diretrizes da Lei Orgânica da Assistência Social, a qual norteia a Política de Assistência Estudantil.

Restaurante universitário no campus Laranjeiras, como já foi dito anteriormente, não existe. Não existe na nossa sede provisória e nem no projeto do definitivo campus. Hoje, depois da conquista com a paralisação, fazemos as nossas refeições diárias na lanchonete a preço comercial. Será que nós, como estudantes da UFS, não temos os mesmos direitos que os alunos do Campus São Cristóvão? Até quando vamos ter que ver estudantes abandonarem seus cursos por falta de assistência estudantil? De que vale acesso sem permanência? Isso é uma verdadeira exclusão e não inclusão como afirma o slogan do governo “expandir para incluir”!

Como se não bastassem essas miseráveis condições em que vivemos, ainda temos mais um grande problema: como a maior parte dos estudantes do Campus Laranjeiras reside na grande Aracaju, muitos utilizam do transporte público como meio de locomoção. Ou seja, por dia, cada estudante paga duas passagens municipais e mais duas intermunicipais, o que torna a locomoção muito cara. Sem contar com o aumento de tarifa que irá acontecer ainda esse ano. Pedimos, urgentemente, maior agilidade na integração do município de Laranjeiras a grande Aracaju, para que tenhamos os mesmo direitos dos universitários da UFS de São Cristóvão. Uma vez que, os cursos existentes no campus Laranjeiras – Arqueologia, Arquitetura e Urbanismo, Dança, Museologia e Teatro – não existem na rede pública da grande Aracaju. Aqui também cabe uma pergunta: por que alguns municípios de pequeno porte disponibilizam transporte para os estudantes a ponto de viabilizar a locomoção até o Campus de São Cristóvão e, Aracaju que é município de grande porte não dispõe? A observância e a garantia desse direito deve ser prioridade. Então por que isso não acontece? Exigimos que nosso direito seja garantido!

Hoje, fazem festa para inauguração de uma biblioteca, que deveria ter acontecido desde o primeiro dia de aula (26 de março de 2007), sem lembrarem que deveríamos receber no mínimo um pedido de desculpas! Desculpas por terem atrasado por quase um ano essa entrega e terem feito estudantes largarem seus cursos por não ter condições de manter seus estudos com o mínimo de qualidade. Cabe registrar que o pedido de desculpas é só por uma questão de consideração, no entanto, tais desculpas não viabilizam nossos direitos, por isso queremos compromisso e respeito através do acesso aos nossos direitos.

Então, é isso que nós estudantes do Campus Laranjeiras, hoje, pedimos. Pedimos que ao invés de realizarem apenas uma festinha de inauguração, tenham o mínimo de respeito e dignidade perante os estudantes da rede pública do nosso país. Já que vem sendo adotada a política de expansão na UFS, solicitamos encarecidamente que tal política deixe de contar com aquilo que está bastante visível em nosso cotidiano, o sucateamento da universidade pública.

Ante o exposto, queremos os mesmos direitos dos universitários da UFS de São Cristóvão! Lutamos por uma universidade pública de qualidade. Não somos contra a expansão da universidade, mas somos contra a expansão irresponsável e SEM QUALIDADE!

Atenciosamente,

Centro Acadêmico de Arqueologia, Centro acadêmico de Museologia, Centro Acadêmico de Dança, Centro Acadêmico de Teatro e Centro Representativo Independente de Arquitetura e Urbanismo.


por Bianca Lima


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